O PROCESSO CRIATIVO (PARTE 3)

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Acreditamos que toda escrita literária seja organizada. O que frisamos aqui é o que diz respeito à organização prévia, do momento anterior ao início da escrita propriamente dita, quando o escritor começa a contar a história. Alguns autores são detalhistas no aspecto da organização preliminar, delineando o trajeto da narrativa e organizando o passo-a-passo da história. Outros, porém, são menos detalhistas e abrem mão — totalmente ou não — dessa organização que teria a função de dinamizar a escrita e garantir a coerência e a concatenação lógica entre os fatos, as cenas e as ideias apresentadas na narrativa.

Tenho, particularmente, um método de escrever prosa e outro de escrever poesia. Enquanto a poesia é mais intuitiva, a prosa é metódica, organizada, minuciosamente pensada e preparada para guiar a escrita por um caminho previamente delineado. Claro que não significa que escreverei sob uma camisa-de-força; dou-me plena liberdade de inovar e reinventar durante o trajeto, tomar atalhos, dar voltas ou construir pontes, porém, aquele caminho por onde passarei não é totalmente desconhecido, “meus batedores” já passaram por ele e me indicam as melhores trilhas a desbravar.

Quanto a essas técnicas de escrita há uma classificação em voga: os que organizam, planejam minuciosamente, “desenham” a escrita, fazem o “esqueleto” da narrativa são chamados de escritores arquitetos; os que simplesmente vão escrevendo, sem toda essa organização preliminar, são chamados de escritores jardineiros. Em função disso, eu poderia dizer que sou, enquanto prosador, um arquiteto e, enquanto poeta, um jardineiro.

Outro aspecto interessante a se considerar ao analisarmos o processo criativo é o hábito que alguns(as) escritores(as) têm de fazerem um rascunho da obra. Esses escritores e escritoras adotam uma forma, diríamos, mais paciente de escreverem seus textos. Preparam, lapidam e, só depois de estarem satisfeitos com o rascunho, passam à escrita definitiva do livro ou do texto literário. Há um outro grupo, entretanto, que “pula” essa fase, já partindo, de uma vez, para a escrita definitiva. Faço parte desse segundo grupo.

No que diz respeito ao meu processo criativo, tenho por princípio não reescrever meus livros em hipótese alguma. Planejo, organizo, faço o “esqueleto” do livro e vou, na sequência, seguindo o “script”, reservando-me o direito, como já falei, de inovar, tomar atalhos, enxertar novas ideias, cenas, personagens, contanto que não seja desfigurado o traçado original, que me dá o ponto de partida e o ponto de chegada da narrativa.

Há escritores(as), no entanto, que não se contentam com a escrita única. Escrevem e reescrevem, modificam, riscam, apagam, melhoram, cortam, acrescentam, e assim vão reescrevendo, muitas vezes, até ficarem, finalmente, satisfeitos com o resultado final.

Há escritores(as) que estabelecem uma rotina para escrever. Alguns não o fazem por não sentirem essa necessidade, outros(as) porque não podem escolher os dias e, principalmente, os horários de realização da atividade de escrever. Escritores(as) que trabalham em outras atividade laborais (o que é a regra), por exemplo, só podem escrever em seus horários livres, que nem sempre são os que eles preferem para exercitar sua escrita.

Do mesmo modo, há os que preferem escrever pela manhã, os que preferem escrever à tarde, e os que preferem escrever à noite. Não existe um “melhor horário” universal, mas a melhor hora para escrever é aquela que lhe apraz, quando você se sente mais livre, mais concentrado, mais confortável e, portanto, cada um tem o seu melhor horário para o exercício de sua escrita criativa.

Evidentemente, há outros aspectos que poderiam ser considerados e examinados, ou, pelo menos, referidos no tocante ao processo criativo. Mas, em suma, é o que nos propusemos a trazer aqui para termos uma ideia do que vem a ser esse elemento primordial para a escrita literária. Da ideia ao livro pronto há um longo caminho a percorrer e cada autor(a) percorre o seu, do seu jeito e com o seu propósito. O que podemos fazer é desejar sucesso a todos(as)!

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