O PROCESSO CRIATIVO (PARTE 2)

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Ao escrever, cada autor(a) percorre seu próprio caminho. Essa escolha é feita a partir da consciência do autor de que há inúmeros caminhos — diríamos, até, que há infinitos caminhos diante do autor —, pois, dizer que há apenas dois caminhos para o escritor definir a direção de sua jornada de escrita é, no mínimo, uma simplificação que não cabe no rico e variado processo de criação literária. É a partir de suas experiências, do tipo de conhecimento que traz, do olhar que tem sobre o mundo, dos objetivos que pretende alcançar com sua atividade de escrever, enfim, é a partir de múltiplos fatores que o escritor traça seu caminho — ou seus caminhos — na arte da escrita.

É inconcebível que alguém escreva uma obra de ficção sem que desenvolva e aplique a tal atividade um elemento essencial: a imaginação. A imaginação é, possivelmente, o elemento mais importante na construção de uma narrativa literária. É a fonte. É a força da imaginação do escritor que mobiliza, estimula e atrai a imaginação do leitor. Ao escrever, o autor imagina a cena, do mesmo modo que, ao ler, o leitor também a imagina. E cada um a imagina a seu modo, porque cada um tem uma história própria, um jeito próprio de ver e de interpretar o mundo. Tudo isso é maravilhoso, fantástico, e é por isso que cada livro é único para cada um de nós.

É possível que alguém diga que exerce controle total (consciente) sobre o que escreve. Será? Existem escritores(as) que são tremendamente metódicos, outros, predominantemente intuitivos.  Creio que, ao escrever, deveríamos ter em mente que todos somos, de algum modo, “governados” pelo nosso inconsciente. Certamente, por isso, quando nos pomos a escrever — pelo menos, boa parte de nós — nos deixamos levar pela intuição e somos “conduzidos” pela própria narrativa.

Independentemente da forma como escrevemos, estabelecemos, conscientemente ou não, estratégias de ação para levarmos a cabo a tarefa da produção de textos literários. Essas estratégias de ação envolvem desde a pesquisa até o ritmo da escrita, passando por incontáveis aspectos que se interligam para conferir unidade e lógica à escrita produzida. Deste modo, fazer rascunhos é uma estratégia de ação, assim como não fazê-los o é da mesma forma.

É frequente ouvirmos escritores(as) dizerem que, para escreverem um livro, fazem um planejamento, como etapa prévia indispensável para definir a natureza e a forma da escrita. Outros, diferentemente, assumem que não planejam e apenas começam a escrita, deixando fluir. Mesmo estes, que são adeptos de uma maior liberdade na produção textual, não poderiam dizer que não planejam de modo algum, pois, ao escolher esse caminho (o de “deixar fluir” sem planejamento prévio), planejaram escrever dessa maneira.

Para que o texto não fique excessivamente longo, continuaremos na próxima postagem.

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