A LITERATURA É IMPRESCINDÍVEL À VIDA

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Ao prefaciar Os Tentáculos da Terra, Livro Dois da trilogia A Honra do Clã, o poeta Esechias Araújo Lima nos presenteia com um texto belíssimo (como lhe é natural), do qual ouso extrair, dos dois primeiros parágrafos, pequenos e valiosíssimos excertos. Para começar, Esechias intitula assim o prefácio: Prosa e Poesia pelos TENTÁCULOS DA TERRA. Já dá para antever a beleza que ele irá nos revelar no texto do prefácio.

O ilustre Poeta começa a nos dizer que “a Literatura é um armazém sortido, um relâmpago ficcional, um trescalar de perfume em flores matizadas de borboletas levemente amanhecidas, um colher de romãs e amoras no quintal tangido de raios tímidos e madrugadores, sedução e sedição próprias da novelística. É uma encantação imprescindível à vida.

Por que a literatura é imprescindível à vida? Tudo que experimentamos no nosso jornadear pelo mundo dentro do tempo que nos é concedido exerce, de algum modo, certa influência sobre nós. Somos passageiros desta vida. Nossa viagem precisa ter sentido, do contrário, estaríamos perdidos e fadados a sermos nada mais que um sopro miserável na eternidade.

Quantas vidas temos para viver? A frase: “um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma”, atribuída a George R. R. Martin, autor da obra A Guerra dos Tronos, tem muito a nos dizer a respeito da intensidade com que se vive e do papel fundamental da literatura para a felicidade do ser humano. Em 2016, a Universidade de Roma III publicou uma pesquisa em que anunciava: “quem lê é mais feliz”. Outra pesquisa, esta, feita pela Universidade de Yale, aponta que o hábito de ler está associado a uma longevidade maior. Ou seja: quem lê vive mais que quem não lê.

Isso tudo é muito bom. Porém, o que extraio de mais importante da afirmação do prefaciador do nosso livro é que a literatura produz encantamento. Essa “encantação imprescindível” à qual ele se refere é, para mim, a cor, o aroma e o sabor, a música que emana do livro e penetra na nossa alma. A literatura atravessa nossos sentidos para encantar o que há de mais profundo em nós, ela vai além do cognoscível e se sedimenta em nossa própria estrutura, porque a literatura é espiritual, é parte constitutiva de nós.

Então, Esechias pergunta: “justificar a escrita? (…) “É necessário o livro?” O próprio Poeta responde, e sua resposta é uma pérola de sensibilidade. E é nesse encontro formidável do lirismo de Esechias Araújo Lima e a narrativa épica de A Honra do Clã que divisamos, para além do mundo dos sentidos (sem, contudo, jamais desprezá-los), esse sentir metafísico inundando nossa alma, imiscuindo-se nos alicerces de nossa personalidade, de nossa essência mais rudimentar e profunda.

Sem dúvida, a literatura “é uma encantação imprescindível à vida!

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