ARI, A ARIRANHA*

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Autor: Natanael Oliveira do Carmo

 

*Esta historinha, que explora a pronúncia do fonema “rrrr” (o “R” tremido), foi escrita há muitos anos para meu filho, ainda criança, treinar a pronúncia desse fonema, pois ele falava como o Cebolinha, da Turma da Mônica (personagem do Maurício de Sousa). A fonoaudióloga aprovou e os resultados foram excelentes. Decidi compartilhá-la para que todos que desejem (pais, fonoaudiólogos, professores, oradores e falantes em geral) possam usá-la para treinar a pronúncia, reforçando os exercícios indicados pelos profissionais da área. É grátis! Divirtam-se!

Ari era uma ariranha próspera e criativa, que criava quadros primorosos com cores claras e fluorescentes. Pintava flores coloridas e era quem preparava as próprias cores para suas pinturas. Era parceiro de Glória, uma aranha grande, professora de tricô, criatura alegre e pura, praticante de karatê. Glória era faixa preta.

Ari era primo de Creonte, o jacaré, mestre de capoeira e construtor de trilhas. Foi para Creonte, o jacaré, seu primo, que Ari, a ariranha, dera de presente sua pintura mais preciosa, o quadro Trinta e Três Tigres Trigueiros Trilhando o Trigo.

Ari era próximo de Lara, a arara rara da tribo das araras raras amarelas, que quase dera um treco por causa do troco que lhe negara Odorico, o urubu, numa compra de cravo e siriguela, que Lara pagara com trezentas pratas e o urubu Odorico trocara o valor da grana. Foi um troço triste, mas Priscila, a perereca, que entrara no lugar, apresentou a proposta que resolveu a parada.

Ari pintara uma obra-prima, que batizara de Poeira Sobre a Trincheira, que vendera a peso de ouro para Mário, o sururu, irmão de Prisco, o siri, que moravam na areia da praia. Outra pintura premiada de Ari, a ariranha, era A Rapadura no Prato, presenteada a Pedro Preto, a cobra, uma jararaca travessa que morava em Itororó. Pedro Preto era garimpeiro e garimpava pedras preciosas e variados minérios: ouro, prata, cobre, esmeraldas, berilos, águas-marinhas e outros.

Ari brincava de truco, comia brioche com creme ou comia brioche puro, escrevia para os parentes que moravam no Pará, no Paraná, na Paraíba, em Crato ― no Ceará ― e em Brasília ― no Distrito Federal. Tinha parentes que moravam fora do Brasil: na Noruega, três primos, na França, três tios trabalhavam, e treze trabalhavam em construção na Croácia, na Europa oriental. Tinha um em Burundi, África.

Ari pintara flores na beira do Ceará-Mirim, vendera caro esse quadro e fizera uma morada com um muro grande. Dera duro, comprara a área, construíra, agora fizera a escritura e estava tranquilo. Pintara cravos brancos, margaridas amarelas, e ganhara bom dinheiro. Mudara-se pra o Cariri. Dera para andar de trenó motorizado nas areias do lugarejo. Era craque no trenó. Para lembrar das origens, preparava caruru.

Ari namorava Mara, uma ariranha trigueira que era princesa de Tralirarala, um reino próximo no sertão. Pretendia ser seu marido. Jurava que o seria, pois Mara era uma preciosidade. Será que seria príncipe dos traliraralenses? Ari sorriu e seguiu a trilha, segurando a corda do trenó e respirando o ar puro daquelas paragens paradisíacas.

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