ESTRANHOS SÃO OS OUTROS

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Quem são, de fato, os monstros que interferem em nossa viagem? Onde eles estão? Como eles se apresentam? Onde se escondem os perigos que tão frequentemente nos perseguem ou nos cercam? Como conviver no meio de tantas diferenças, como conciliar objetivos aparentemente tão antagônicos, como olhar para o outro? Essas e outras questões tão relevantes para a convivência humana estão lá, presentes, evidentes, desfilando perante nossos olhos e ocupando nossa mente enquanto a aventura se desenrola e a fantasia alimenta nosso sonho.

Entre os muitos personagens que desfilam nas páginas da trilogia estão seres fantásticos, originários de muitos lugares e de muitas culturas diferentes. Do ponto de vista humano, são os seres estranhos. Criaturas que a imaginação humana projetou, em algum momento e contextos sociais específicos, como parte das lendas que marcam as circunstâncias particulares da constituição e desenvolvimento de um povo, seus eventos marcantes, suas crenças, suas necessidades e modo de lidar com a realidade que lhes é própria e que, com o tempo, são classificadas como, por exemplo, seres mitológicos (seus mitos) ou folclóricos (pitorescos, frutos da imaginação).

A relação que os expedicionários estabelecem com os diferentes personagens míticos merece, sem dúvida, alguma reflexão. Diante dos mais estranhos, dos mais diferentes, a dificuldade em estabelecer uma conexão amigável, colaborativa, é, evidentemente, mais difícil. Isso nos leva a refletir: por que isso acontece? Creio que, dentre os muitos fatores que poderiam explicar, pelo menos, em parte, essa ocorrência, poderíamos mencionar a difuldade de comunicação, a diversidade da natureza desses personagens, seu modo muito diferente de vida e outros tantos mais que o leitor irá descobrir durante a leitura.

Por outro lado, os personagens mais semelhantes ao humano apresentam um nível diferente de interação com os Mazaunin. Claro que sempre há certo grau de desconfiança e medo porque, queiramos ou não, sempre desconfiamos e/ou tememos o diferente. Isso será notado com o aprofundamento da leitura, já que os expedicionários de Nahiyar encontrarão, nas terras selvagens de Yankin, povos — e criaturas solitárias — surpreendentes, principalmente por serem estranhos. Estranhos? Melhor dizer: diferentes.

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