PREFÁCIO

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Desejo iniciar enfatizando que para a leitura de uma saga — nos moldes de O Legado do Profeta — suscita-se espírito de aventura. Não porque seja o livro exageradamente longo, mas pela atratividade à qual o leitor é impelido ao surgimento de cada personagem.

O ano de 2020, marcadamente, sustentará a história. Não apenas pela necessidade urgente com que a humanidade teve que se reinventar, adaptar-se a uma nova forma de viver — dito o novo normal — mas, insiro aqui, como surpreendentemente fomos brindados com uma obra literária de elevado cunho narrativo. Primeiro dos três volumes de A HONRA DO CLÃ, O Legado do Profeta introduz no cenário da literatura contemporânea universal N. O. C. Dutsen.

Em seu romance de estreia, Dutsen adota a mesma performance dos grandes contistas, de maneira — não diria inovadora — mas absolutamente convincente, apurada, detalhada, definida como é comum aos grandes escritores. Dono de uma linguagem escorreita, o autor brinda-nos com uma narrativa a um só tempo leve e dinâmica, atraente, sem os arroubos de um discurso enfadonho. Com recortes que nos lembram um roteiro cinematográfico — fruto da sua experiência como magnífico criador de representações textuais cênicas e de diálogos precisos — descreve aspectos de cada cenário e cada personagem.

Noutro aspecto, permita-nos assemelhar a narrativa a quadros teatrais, onde a inserção de novos personagens suscita do leitor uma atenção redobrada. Nesse particular, da inserção de novas personagens, vale destacar a autonomia que cada uma personagem possui e a força vital que vão adquirindo ao longo da narrativa [como é o caso de Leken Asiri e Khalinny Dio].

Em algum momento, os recortes trazidos no livro lembram-nos grandes dutos condutores, sem os quais haveria dispersão e estancaria a fluidez da narrativa. Dutsen é um mestre em criar situações e aprimorá-las com um viés figurativo sustentado por reiterada adjetivação da paisagem, das personagens e dos seres fantásticos que saltam da página aos olhos do leitor. Não é, em absoluto, um romance de iniciante ou aspirante a um posto no rol de escritores. É o romance de um escritor experiente, que inicia uma saga fantástica e cresce com ela ao longo da narrativa.

Seria oportuna a abordagem sobre o público leitor — dentro do que propõe a Estética da Recepção, vista a preocupação do narrador, ao tecer a sua narrativa como se se dirigisse a cada leitor especificamente. Algo meticulosamente pensado, elaborado, que faz com que a narrativa alcance o paradigma universal, mediante seu caráter atemporal e diverso. O leitor é, por sua devida relevância, instância responsável em atribuir sentido ao texto, vista a profundidade temática e o caráter universal pensados por N. O. C. Dutsen.

Não seria demasiado imaginar que ao término de uma narrativa como esta, o narrador seja tomado por um desgaste físico evidente. A narrativa de N. O. C. Dusten demonstra neste primeiro livro da trilogia A HONRA DO CLÃ a sua excelência enquanto narrador. Este é um livro, por suas características, magnífico, extraordinário, fascinante! Livro de um excelente escritor, autor premiado, que aborda com sutileza exemplar temas como aventura, solidariedade, fé, coragem, dignidade da pessoa humana, amor, determinação, igualdade, temas universais, enfim. Um livro, como dito, para ser lido com espírito de aventura, mas com o olhar contemplativo de quem cavalgasse numa extensa e atraente planície, estando atento a cada imagem que surja à frente. Um livro que, ao final da leitura, irresistivelmente, cedemos ao desejo de voltar ao início.

Boa leitura.

Aurélio Ricardo Filho – pós-graduado em teoria da literatura; mestre em Literatura e diversidade cultural; assessor e consultor literário

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