A LITERATURA DE FICÇÃO

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A literatura de ficção é uma forma de trazer um olhar diferente e profundo sobre a realidade. Quando lemos uma história inventada por alguém, em algum lugar, ali está uma mente perspicaz analisando a realidade e vestindo o real com uma roupagem diferente. Afinal, o que é ficção e o que é realidade? Onde termina uma e começa a outra? Ou, vendo de outro modo: até que ponto elas se entrelaçam numa história?

Quando lemos obras de ficção como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, ou “A Metamorfose” ou “O Artista da Fome”, ambas de Franz Kafka, ou “Não Verás País Nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão, ou “O Tocotó de Mulifange”, de Natanael Oliveira do Carmo, ou “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, ou “Essa Terra”, de Antonio Torres, ou “Germinal” de Émile Zola, por exemplo, o que vemos nelas? Ficção ou realidade? Eu vejo ambas! Porque a ficção é o veículo que o escritor usa para levar a realidade até o leitor, a fim de que o leitor olhe para ela, pense nela e mergulhe nela.

É uma frase muito conhecida a que diz que “a vida imita a arte”. É assim: a arte revela a vida. Quando olhamos para “Guernica”, de Pablo Picasso, o que vemos? O que sentimos? Quando ouvimos “As Quatro Estações”, de Antonio Vivaldi, o que sentimos? Em que pensamos?

Um bom livro não é apenas diversão! É reflexão, é emoção, é vida! A Honra do Clã propõe um mergulho nas águas do que há de melhor na literatura de ficção para encontrar o que é real, o que está aqui, à nossa volta, dentro da nossa mente. Aventura, realidade, vida! Mas é uma viagem tão insólita, tão extraordinária, tão prazerosa que a gente vai se deixando levar nas ondas estimulantes da imaginação e se vê num mundo mágico que, lá no fundo, não é só uma quimera.

Quando a magaji Jarumi Matasa diz ao comandante da expedição, Juelício Ju: “cuide de avisar aos visitantes que respeitem nossa casa”, ela está expressando uma expectativa universal. E no contexto em que as personagens travam esse diálogo, é evidente que a “casa” a que Jarumi Matasa se refere não é a habitação privada (quarto, sala, cozinha), mas é um conceito muito mais amplo — o leitor verá no capítulo 23.

Então, temos um diálogo fictício, numa situação fictícia, entre pessoas fictícias, numa obra de ficção, mas o conceito é real. Essa é a grande magia da literatura de ficção! A vida pulsa, meu caro leitor, minha cara leitora! A vida pulsa!

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