JIRGIN RUWA

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Jirgin Ruwa era um homem de meia idade, forte, músculos rijos, acostumado às águas. Desde menino, aprendera o ofício de pescador e iniciara uma íntima relação com o extenso Rio Azul. O rio, que nascia na Serra do Vento, atravessava todo o centro de Nahiyar, desde o sul de Dacewa, até desaguar em Iyaka do Norte, o Mar Infinito, ao lado de Fortaleza do Mar. Era navegável em toda a extensão, exceto no trecho da Cordilheira Shudi, onde se derramava em belas cachoeiras e cascatas ligeiras.

Jirgin Ruwa era o capitão do Condor Errante, seu próprio barco de pesca, grande, esguio e rápido. O pai de Jirgin Ruwa estava velho e não pescava mais. Tudo que Jirgin Ruwa sabia aprendera com ele e com a tripulação da qual ele fazia parte. Homens de mãos calejadas, bons nadadores, pescadores experientes, que conheciam os humores do Rio Azul, seus fluxos e refluxos, seus pequenos afluentes, seus ventos e manias.

Desde que nascera, fora banhado nas águas ligeiras do grande rio. Eram amigos próximos; amigos de muito tempo; amigos da vida inteira. Quando Jirgin Ruwa mandara construir o Condor Errante, não pensara em si mesmo, em seus gostos e predileções: pensara no rio. Dizia que o barco era dele, mas não para ele. Era um barco para o Rio Azul. Para se moldar ao seu ritmo, suas manhas, seus desejos.

O Rio Azul era a divisa natural entre o Leste e o Centro e entre o Leste e o Norte. Jirgin Ruwa só navegava na parte alta do rio, entre a Serra do Vento e a Cordilheira Shudi. Entre o Leste e o Centro. Aquelas eram suas águas. Ali, o Condor Errante era soberano e ele era o rei.

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