QUEM É ESSA PERSONAGEM?

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Cada personagem traz sua própria história para a narrativa. Ao fazê-lo, na verdade, ele adentra na esfera privada da vida do leitor e, de um modo ou de outro, passa a fazer parte dela. O terceiro parágrafo do prólogo de O Legado do Profeta apresenta uma mulher, brevemente descrita, que, apesar da fugacidade de sua apresentação, com toda certeza já atrai o olhar do leitor e desperta, em sua imaginação, o interesse em conhecê-la, desvendá-la, acompanhar sua jornada. Isso realmente acontecerá? A seguir, vejamos o parágrafo referido:

Não muito longe, na periferia de uma grande cidade, numa rua estreita, uma mulher de cabelos loiros e olhos azuis saiu de uma casa pequena e caminhou, encurvada, agarrada ao xale puído, enfrentando o frio, na direção do rio. Era viúva e tinha cinco filhos para criar: uma matashi, que logo teria quinze anos, e mais dois meninos e duas meninas, todos mais novos. Tentava se concentrar no presente e não pensar no futuro. Tudo parecia incerto e ela precisava alimentar a prole”.

Ao iniciar a leitura, o leitor imediatamente identificará a Região à qual pertence essa mulher incógnita. É uma Região caracterizada pela expressiva desigualdade social e pelo tipo humano de cabelos loiros e olhos azuis. Os habitantes dessa Região são predominantemente brancos e altos e suas armas tradicionais são a boleadeira e a espada. Por isso, há grandes espadachins, embora os pobres, evidentemente, tenham muitas dificuldades em aprimorar suas habilidades com a espada, por conta da própria situação econômica de pobreza em que se encontram e pela falta de oportunidades daí oriunda.

Outra característica importante dessa Região é o clima. As variações de temperatura são consideráveis, com verões muito quentes e invernos intensamente frios. Vê-se, na descrição do parágrafo transcrito, que a cena se desenrola no rigoroso inverno da Região, o que acentua a desolação e pobreza da personagem.

Constata-se, obviamente, que essa mulher é uma pessoa pobre. O leitor confirmará essa constatação pelo fato de ela morar na periferia, pois perceberá a configuração das cidades nessa Região e a distribuição geográfica das classes sociais em suas cidades. Outro indicativo seguro de sua pobreza é a informação de que ela mora numa rua estreita e numa casa pequena, típicas de residências dos pobres. Além disso, para se proteger do frio o quanto podia, a mulher usava um xale puído, o que, certamente, não era suficiente para mantê-la devidamente agasalhada.

Outra pista de sua pobreza é o fato de estar saindo de casa, ao nascer do sol, movida pela preocupação de prover alimento para os filhos. É uma mulher jovem, como aponta o fato de que a filha mais velha é uma matashi de catorze anos de idade. Aliás, essa matashi assumirá um papel relevante na história e será uma personagem importante que, certamente, irá cair nas graças dos leitores.

Vamos conferir? Junte-se ao Clã!

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