O POVO QUE NÃO LÊ

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A literatura está para o povo como a chuva para a lavoura. Ambas — literatura e chuva — significam vida. O desabrochar, o florescer, o crescer e se desenvolver e o dar frutos. O povo que não lê não desabrocha. Permanece semente sob a terra, na escuridão, sem encontrar o caminho e sem jamais ver a luz. Não rompe seus limites, não cumpre seu destino. Não sabe que existe o sol e não conhece a dor e a magia de nascer e se constituir povo, verdadeiramente povo.

O povo que não lê não floresce! Raquítico, fraco, não perfuma o mundo, mas se perde a balançar inodoro e triste em qualquer direção. O povo que não lê não faz do mundo uma aquarela, não conhece as cores. É sempre o templo da palidez. Não possui atrativos e não alegra a humanidade. O povo que não lê é fraco e dócil, de uma docilidade covarde, porque não aprendeu a florescer.

O povo que não lê não cresce! Pequeno, vai se apequenando cada vez mais, diminuindo, encolhendo, porque é incapaz de se desenvolver. Não consegue avançar, subir em direção ao sol, erguer-se às alturas das estrelas e enfeitar o firmamento. Abandona-se na insignificância de um destino pusilânime e entrega-se à mediocridade. Permanece se arrastando pelas bordas da História e não consegue enxergar os horizontes coloridos da eternidade.

O povo que não lê não frutifica! Prisioneiro na esterilidade de sua ignorância, não produz um legado para o mundo, apenas passa pelo tempo como um sopro de hálito azedo. Sua peregrinação pela História é vazia e inócua. Como uma sombra furtiva, não deixa marcas, não constrói uma identidade, não edifica uma esperança.

O povo que não lê não é feliz!

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