QUEM ESCREVE O LIVRO?

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A uma pergunta aparentemente tão óbvia, ocorre-nos, evidentemente, a resposta natural e automática: o escritor. Do ponto de vista da ação em si, certamente não poderia ser outra a resposta. Acontece que, se de fato quisermos compreender alguma coisa, forçosamente teremos que examiná-las a partir de vários pontos de vista — ângulos diferentes — que poderão nos conferir a possibilidade de verificar as nuances que permeiam qualquer circunstância.

Por exemplo, quando escrevemos um romance, uma crônica, um conto, um poema que flui com naturalidade, num ritmo constante, e somos envolvidos pela escrita de tal maneira que o livro simplesmente vai “acontecendo”, costumamos dizer que o livro se escreve sozinho. Claro que é uma metáfora, mas é o que é. Há livros que se escrevem sozinhos.

Por outro lado, se pensarmos que o leitor, ao ler o livro, imprime nele suas emoções, suas sensações, todo o conjunto maravilhosamente único de sua imaginação, percebendo a leitura a partir de suas próprias experiências e absorvendo o conteúdo segundo sua história de vida e visão de mundo, poderíamos dizer, sem medo de errar, que o leitor, de certa forma, também escreve o livro.

Isto nos leva a compreender que um livro não é uma obra individual. É uma construção coletiva, é um fazer dinâmico que envolve um compartilhamento de conhecimentos, sentimentos, emoções, sensações, enfim, é algo que experimenta uma infinidade de desdobramentos. Como um organismo vivo, o livro nasce e cresce. A diferença fundamental é que um livro não morre!

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